Imagem Projetada: [REC] 4 – Apocalipse, de Jaume Balagueró

REC 4Me digam, o terror espanhol pode ser considerado um gênero à parte? Com uma proeminente produção, a Espanha vem se firmando como um importante pilar da cinematografia de terror, disseminado obras que chamam a atenção, principalmente, pela originalidade. Neste contexto, um cineasta catalão e um valenciano – Jaume Balagueró e Paco Plaza – se juntaram em 2007 para desenvolver talvez o maior nome do cinema assustador espanhol: [REC]. Tal filme se tornou uma série, chamando a atenção pelo estilo found-footage bem aplicado, também contando com uma boa continuação ([REC]2) e com uma terceira parte bastante fraca. [REC]4: Apocalipse ([REC]4: Apocalipsis, Espanha, 2014) tenta encerrar a série de maneira adequada, porém, sem sucesso.

REC 4Há alguns anos afirmei que a série REC poderia se tornar uma das principais séries de terror já feitas. Foi uma ingenuidade, visto que seria muito complicado manter a narrativa found-footage permeada de criatividade do primeiro filme por muito tempo. Assim como no terceiro filme, a quarta parte abandona de vez o relato em primeira pessoa, e constitui uma sequência direta dos acontecimentos de [REC]2. Ángela Vidal (Manuela Velasco), a repórter que havia entrado no prédio contaminado por um vírus demoníaco, acorda em uma embarcação longe da costa espanhola, onde os sobreviventes dos eventos de Barcelona são mantidos em quarentena ao mesmo tempo que uma cura para a praga é pesquisada.
A partir deste momento o cinéfilo experiente já sabe o que ocorrerá, e o filme perde a graça. Não há o mistério que envolvia a investigação da origem do vírus que trasnforma as pessoas em zumbis turbinados, inclusive, alguns dos argumentos narrativos construídos nas partes anteriores são completamente esquecidos e ignorados, o que é uma pena, pois a ambiguidade ciência/religião (explorada principalmente na parte 2) era um dos elementos que mais me agradavam. Como era de se esperar, os efeitos mecânicos são bem construídos, e é possível citar também o bom trabalho de maquiagem, características estas já comprovadas nos filmes precedentes e que não acrescentam nada de novo. O bom suspense é substituído de vez pelo terrir, fato decepcionante para os fãs. Decepcionante ver uma série de filmes tão boa se encerrando de maneira tão descuidada e sem sal.

Notas (numa escala de 0 a 5):

– Imagem: 4

– Som: 4

– Geral: 2.5

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer: